quinta-feira, 17 de julho de 2014

Homo Solitarium

Lembranças machucam. Ainda dói.
Não sei o que faço. Estou desorientado.
Tomei dipirona. Acho que não resolveu. Talvez com whisky, vodka, chumbinho...
Desespero. Pensamentos acelerados. Assuntos entrecortados. Flashes.
No rádio, uma canção de amor. De dor.
Minha dor.  Minhas feridas. Minhas escáras.
O suplício de estar sozinho. Suplico a Deus.
Parece que se esqueceu de mim. Esqueceram de mim.
Maldita indiferença. Estou tomado pelo inconformismo.
Ando no piloto automático.  Anestesiado. Sedado.
Sou um zumbi vagando de um lado para o outro. Não chego a lugar algum.
Pra quê? Porque... Não faz sentido. Nada resolverá.
Vasculhei sua vida. Eu não estava lá.
Só queria ser o seu menino que com um girassol amarelo, no primeiro sábado de inverno, ao seu lado estaria a caminhar.
Fui rejeitado. Negado. Dispensado.
Sem intenção.  Qual a razão então?
Estou no chão imundo da cozinha, chafurdando em minha lama de ódio e rancor.
Estou à deriva.
Estou só.

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